A partir de Outubro de 2017, ao entrar no seu 8º ano de existência, o Clube de Leitura em Voz Alta passou a Coro de Leitura em Voz Alta. Continua a ter uma periodicidade quinzenal e a acontecer na Biblioteca de Alcochete.

Os objectivos continuam a ser os mesmos; promover o prazer da leitura partilhada; a forma passou a ser outra.

próxima sessão - 06 setembro 2011

e o tema é:

fará uma leitura alternativa

mais uma ida ao Teatro

Rogério Samora e Cucha Carvalheiro
Está em preparação mais uma ida ao teatro. Desta vez vamos ver Casamento em Jogo de Edward Albee, com Cucha Carvalheiro e Rogério Samora, encenação de Graça Corrêa.
Está em cena até 31 de julho no Teatro da Trindade.
Quem quiser juntar-se ao grupo, o dia escolhido é o 28 (quinta-feira).
Contactem o João Morais para mais detalhes.

2011.07.19 - Água

Introdução

Como é que a água influencia a voz?
 - o chá de perpétua-roxa

Como é que a água influencia a propagação e a reflexão do som?

um pouco mais de informação sobre o som




Outras leituras

O País das Águas

Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina

O Deserto

Revista Malasartes

Gota de Água, de Chico Buarque


Leituras do dia:


Vasco

de Cesário Verde, Cristalizações

A Bettencourt Rodrigues, meu amigo.

Faz frio. Mas, depois duns dias de aguaceiros,
Vibra uma imensa claridade crua.
De cócaras, em linha os calceteiros,
Com lentidão, terrosos e grosseiros,
Calçam de lado a lado a longa rua.

Como as elevações secaram do relento,
E o descoberto Sol abafa e cria!
A frialdade exige o movimento;
E as poças de água, como um chão vidrento,
Reflectem a molhada casaria.

Em pé e perna, dando aos rins que a marcha agita,
Disseminadas, gritam as peixeiras;
Luzem, aquecem na manhã,
Uns barracões de gente pobrezita
E uns quintalórios velhos, com parreiras.

Não se ouvem aves; nem o choro duma nora!
Tomam por outra parte os viandantes;
E o ferro e a pedra - que união sonora! -
Retinem alto pelo espaço fora,
Com choques rijos, ásperos, cantantes.

Bom tempo. E os rapagões, morosos, duros , baços,
Cuja coluna nunca se endireita,
Partem penedos. Voam-lhe [sic] estilhaços.
Pesam enormemente os grossos maços,
Com que outros batem a calçada feita.

A sua barba agreste! A lã dos seus barretes!
Que espessos forros! Numa das regueiras
Acamam-se as japonas, os coletes;
E eles descalçam com os picaretes
Que ferem lume sobre pederneiras.

E neste rude mês, que não consente as flores,
Fundeiam, como esquadra em fria paz,
As árvores despidas. Sóbrias cores!
Mastros, enxárcias, vergas! Valadores
Atiram terra com as largas pás...

Eu julgo-me no Norte, ao frio - o grande agente!
Carros de mão que chiam carregados,
Conduzem saibro, vagarosamente;
Vê-se a cidade, mercantil, contente:
Madeiras, águas, multidões, telhados!

Negrejam os quintais; enxuga a alvenaria;
Em arco, sem as nuvens flutuantes,
O céu renova a tinta corredia;
E os charcos brilham tanto que eu diria
Ter ante mim lágoas de brilhantes!

E engelhem muito embora, os fracos, os tolhidos,
Eu tudo encontro alegremente exacto,
Lavo, refresco, limpo os meus sentidos.
E tangem-me, excitados, sacudidos,
O tacto, a vista, o ouvido, o gosto, o olfacto!

Pede-me o corpo inteiro esforços na friagem
De tão lavada e igual temperatura!
Os ares, o caminho, a luz reagem;
Cheira-me a fogo, a sílex, a ferragem;
Sabe-me a campo, a lenha, a agricultura.

Mal encarado e negro, um pára enquanto eu passo;
Dois assobiam, altas as marretas
Possantes, grossas, temperadas de aço;
E um gordo, o mestre, com ar ralaço
E manso, tira o nível das valetas.

Homens de carga! Assim as bestas vão curvadas!
Que vida tão custisa! Que diabo!
E os cavadores descansam as enxadas,
E cospem nas calosas mãos gretadas,
Para que não lhes escorregue o cabo.

Povo! No pano cru rasgado das camisas
Uma bandeira penso que transluz!
Com ela sofres, bebes, agonizas;
Listrões de vinho lançam-lhe divisas,
E os suspensórios traçam-lhe uma cruz!

De escuro, bruscamente, ao cimo da barroca,
Surge um perfil direito que se aguça;
E ar matinal de quem saiu da toca,
Uma figura fina, desmboca,
Toda abafada num casaco à russa.

Donde ela vem! A actriz que tanto cumprimento
E a quem, à noite, na plateia, atraio
Os olhos lisos como polimento!
Com seu rostinho estreito, friorento,
Caminha agora para o seu ensaio.

E aos outros eu admiro os dorsos, os costados
Como lajões. Os bons trabalhadores!
Os filhos das lezírias, dos montados:
Os das planícies, altos, aprumados;
Os das montanhas, baixos, trepadores!

Mas fina de feições, o queixo hostil, distinto,
Furtiva a tiritar em suas peles,
Espanta-me a actrizita que hoje pinto,
Neste Dezembro enérgico, sucinto,
E nestes sítios suburbanos, reles!

Como animais comuns, que uma picada esquente,
Eles, bovinos, másculos, ossudos,
Encaram-na, sanguínea, brutamente:
E ela vacila, hesita, impaciente
Sobre as botinas de tacões agudos.

Porém, desempenhando o seu papel na peça,
Sem que inda o público a passagem abra,
O demonico arrisca-se, atravessa
Covas, entulhos, lamaçais, depressa,
Com seus pezinhos rápidos, de cabra!

Lisboa, Inverno de 1878

Publicado na Revista de Coimbra, no.1 1879 & Correspondência de Coimbra, 17 de Junho de 1879.



Mila


de vários autores


Teresa
de Papiano Carlos, um excerto de A Menina Gotinha de Água



João e Xana J.

Bravo Zulu Barracuda

-C8-E8-G8

-Água!! Ai, o submarino!!!

-Por falar nisso…Sabes onde fui no fim de semana passado?

-Onde?

-Visitar o Barracuda!!!

-Quem?

-Não é quem …é um Submarino! Não te lembras?! Aquele que em 83 deu uma tareia aos Americanos!!

-Aos Americanos? Uma tareia? Conta lá…

-Não te lembras de uns exercícios da NATO no mediterrâneo, próximo do estreito de Gibraltar?Aquilo é que foi um David contra Golias!!
Vê tu bem: o submarino mais antigo de todas as marinhas de guerra da NATO, com 57 metros de comprimento, uma velocidade máxima de 16 nós, conseguiu afundar virtualmente o porta-aviões Eisenhower com mais de 300 metros de comprimento, o dobro da velocidade e uma enorme superioridade de poder de fogo.

- Então?!

- A missão do Barracuda era fazer uma barreira de oposição a um grupo de navios de superfície que deviam tentar furar o bloqueio e entrar no Mediterrâneo.
Ao mesmo tempo, o Eisenhower seguia para o Mediterrâneo para render um Carrier Battle Group que aí patrulhava. Com o porta-aviões seguiam dois cruzadores, dois navios de protecção antiaérea e pelo menos um contra-torpedeiro.
O Barracuda interceptou as comunicações do grupo de batalha de porta-aviões Eisenhower e assim que o comandante Brites Nunes percebeu que o Battle Group norte-americano ia atravessar a área de patrulha atribuída ao Barracud,a decidiu avançar.
Aproveitou as zonas de sombra dos sonares dos navios de escolta do Eisenhower e o Barracuda manobrou sem ser detectado para baixo do porta-aviões. Navegou por baixo dele, seguindo o mesmo rumo, o que lhe permitiria um ataque com os torpedos numa situação real.

- Ena!! Espectacular!!! Deve ter-lhes custado um bocado…

- Sobretudo quando tiveram que lhes dizer “ Bravo Zulo Barracuda”!!

- E isso quer dizer o quê exactamente??

- 1 trabalho bem feito e boa viagem !


H3 – C5 – H7
Lembrei-me de uma história com um navio americano.
Os americanos começaram educadamente:
— Daqui Lincoln é favor alterar a vossa rota 15 graus para norte para evitar a colisão com a nossa embarcação.
Já me lembro, os canadianos responderam :
— Recomendo que mudem mudem a vossa rota 15 graus para sul.
— Aqui é o capitão de um navio da Marinha Americana. Repito, mudem a vossa rota.
— Não. mudem a vossa rota.
— Daqui porta-aviões USS Lincoln, o segundo maior navio da frota americana no atlântico, estamos acompanhados de três Destroyers, três fragatas e numerosos navios de suporte. Exijimos que mudem o vossa rota 15 graus para norte. Repito um - cinco, graus para norte, ou então tomaremos contramedidas para garantir a segurança do nosso navio.
Daqui farol de Newfoundland - Porta aviões ao fundo.



Ana V. e Ana F.
da Ana Valente, Água


Dum lado a imensidão azul como só a capital do surf português sabe oferecer… ventosa é certo, mas única e incomparavelmente límpida, de reflexos ora dourados ora prateados conforme o sol avança e se espraia.
É!
Havia aí um cantor que já nem sei quem era que dizia que o mar era mais azul na Ericeira… poderá até ser pimba, mas o homem tem razão!
Conheço um casal que mora ali para a zona de Belas que adora a Ericeira. Até vir morar para Mafra nunca entendi muito bem porque é que eles têm a mania um bocado estranha de só virem à praia quando está tudo enevoado em Belas... Na Ericeira costuma ser um dia espetacular! O pior é que em Belas, o normal é o dia não acordar enevoado...
Pois é. Aqui, a água atmosférica funciona às avessas: dia ruim noutros lugares - dia de sol por Mafra e arredores. E vice-versa!
Quando me mudei para Mafra tive de aprender a identificar as estações do ano por outros indicadores que não o aspeto do cenário visível da janela. Passo a explicar. Quando nos levantamos, a tendência natural é abrir a janela e ver como está o tempo para escolher o que vamos vestir. Em Mafra não vale a pena. É sempre inverno. Só muda mesmo a temperatura. O ar cinzento e murrinhento das manhãs é, salvo honrosas excepções (os dias que o tal casal de Belas vai a banhos), sempre o mesmo.
Sem falar no vento mas esse, hoje, não é chamado a depor! Quando Deus quer, as noites de verão, engrossam a murrinha da manhã e conseguem fazer –se até ouvir os pingos de chuva no claustro do convento. Chega a duvidar-se que se marcou um convívio do grupo do CleVa, em Julho para assistir a uma representação do Memorial do Convento!
Domingo acordou soalheiro, a arreganhar o sorriso, a fazer caretas, a dizer: “bem feita! Quem manda aqui sou eu!”
21 horas- Segunda- feira
Vou atender o telefone e, para não incomodar o marido que está a ouvir o Mário Crespo, abro a porta da varanda:
“ELÁS”: rua molhada: exclamo para o outro lado:
- Não acredito, está a chover!?
Respondem-me:
- Onde? Aqui não!!!!!
- Onde há-de ser??? DAHHHHHHHH!!!!!!!!!!
Terça-feira
Pois hoje é dia de inverno a sério!
Que é feito dos pináculos das torres? A malta bem quer descortinar os carrilhões mas... que é feito da cúpula da basílica? (Da tal mandada construir pelo rei que prometera o convento ao Deus maneta pelo nascimento de herdeiro que afinal foi herdeira e do qual, bem vistas as contas, ainda devemos estar a dever a alguém alguma coisa)… pois de novo teremos de nos deitar a adivinhar porque estão mergulhados no mais denso nevoeiro, como de costume.
Acredito que quem teve a ideia de espalhar que D. Sebastião regressaria para salvar Portugal do Filipes numa manhã de nevoeiro, era de Mafra de certeza… nevoeiro que só se dissipará e dará lugar a um sol radioso de verão depois de deixarmos a A21 e sairmos do perímetro de influência geográfica deste micro clima abençoado que faz de Mafra o lugar lindo que é! Cheio de limos em todas as paredes!
Afinal, água é VIDA!!!!




Vitória
de Francisco José Viegas, O Rio (in Metade da Vida)
Lembro o poema, sentado sobre a margem de um rio.
Por ele venho perto da casa onde o silvo dos
pássaros é uma existência tranquila.

Passam os barcos.
Um a um digo os seus nomes sem que o rio escureça.
Nele a luz tem também o nome da água.
Por ele venho sentar-me junto dos canaviais: daí vê-se a casa,
o sabor de um aroma,
laranjas deixadas ao acaso no verde que atrai e cativa.
Aqui ficaríamos para sempre.


Helena R.

excerto adaptado da biografia de Helen Keller

Helen Keller nasceu no dia 27 de Junho de 1880 numa pequena aldeia rural do Alabama. Quando nasceu Helen via e ouvia normalmente. Mas a sua vida iria mudar dramaticamente. Em Fevereiro de 1882, com apenas 19 meses de idade, adoeceu (poderá ter sido com escarlatina ou meningite) e durante vários dias pensou-se que morreria. Quando finalmente a febre passou, todos se alegraram mas rapidamente a mãe reparou que a filha não reagia quando a campainha que chamava para as refeições tocava, nem quando se passava a mão à frente dos seus olhos. A doença tinha-a deixado cega e surda.

"O dia mais importante de toda minha vida foi o da chegada da minha professora Sullivan. Fico profundamente emocionada, quando penso no contraste imensurável das duas vidas que se juntaram. Ela chegou no dia 3 de Março do 1887, três meses antes de eu completar 7 anos.

Anne Sullivan começou imediatamente a ensinar a Helen a linguagem gestual, fazendo-lhe na mão os sinais de "boneca" para o presente que lhe tinha trazido. Depois ensinou-lhe a palavra "bolo". Mas embora Helen conseguisse repetir estes gestos, não percebia o seu significado. E enquanto Anne lutava para a fazer perceber, também tinha que lidar com o mau comportamento de Helen, que tinha ganho o péssimo hábito de partir pratos, fazer birras ou comer com as mãos do prato das outras pessoas.

Mudaram-se então para uma pequena cabana na quinta. As tentativas de Anne para que Helen melhorasse as suas maneiras à mesa, para que se penteasse ou que apertasse os seus próprios sapatos apenas davam origem a mais birras. Anne punia esse comportamento recusando-se a "falar" com ela através da linguagem gestual.

Mas à medida que se começaram a formar laços entre as duas, o comportamento de Helen começou a melhorar e ao fim de um mês, aconteceu aquilo a que as pessoas chamaram "um milagre".

Helen ainda não percebia completamente o significado das palavras. Quando Anne a levou até à bomba de água no dia 5 de Abril de 1887, tudo estava prestes a mudar. Conforme a água corria na mão de Helen, Anne soletrava as letras da palavra "água" na outra mão. Anne conseguiu ver imediatamente na cara de Helen que ela tinha finalmente percebido.

"Fomos pelo caminho até à casa do poço, atraídas pela fragância da madressilva que a cobria. Alguém tirava água e a minha professora pôs a minha mão debaixo do cano. Enquanto a corrente fria passava pela minha mão, ela soletrava na outra a palavra água, primeiro devagar, depois rapidamente. Fiquei quieta, com toda a atenção fixada no movimento dos seus dedos. De repente senti algo nebuloso, como a consciência de alguma coisa esquecida, e a alegria da sua recordação, e de alguma forma o mistério da linguagem revelou-se."

Helen perguntou imediatamente o nome da bomba, e depois o nome da trepadeira. No regresso a casa Helen aprendeu o nome de tudo aquilo em que tocava e perguntou o nome de Anne. Anne soletrou "professora" na palma da mão de Helen. Nas horas seguintes Helen aprendeu a soletrar 30 palavras.

Fernando
de Russel Edson, Urinando




Mariana
de Luis Vaz de Camões, Redondilha
Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamalote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.



Carmen
da própria, Búzios e Eu
para ver no blog da Carmen



Cecília
de Sofia Pinto Coelho, Mangueirada (in As Extraordinárias Aventuras da Justiça Portuguesa)

de Elizabeth Clare Prophet e Patrícia R. Spadaro, uma reflexão sobre a água (in Os sete centros de energia)

O fraco vence o forte e o macio vence o duro. A coisa mais suave e flexível do mundo subjuga a coisa mais firme do mundo. Quando a água nos corre por entre os dedos não parece forte; e, todavia, a água é capaz de desgastar a pedra e de encontrar passagem em, através de e à volta de obstáculos gigantescos.


Virgínia
de Ramón Gomez de la Serna, Greguerías
música: Eric Satie

“Definir a greguería? Sim… Uma palavra e um gesto, breve e rápido, entre a vida e a morte. A greguería é o instante. A nenhum outro escritor conhecido fica melhor aquela frase lapidar, aquela frase síntese do primeiro escritor modernista portugués, que a morte ceifou, Mário de Sá-Carneiro — o fixador de instantes.”

“A greguería é o atrevimento de definir o que não se pode definir, de capturar o que é passageiro…”

Eis duas ligações, para quem quiser aprofundar o tema:
- na Faculdade de Letras da Universidade do Porto
- no Instituto Cervantes

Como dava beijos lentos, duravam-lhe mais os amores.
À morte não a ouvimos, porque já na intimidade da casa anda de chinelos.
Na Via Láctea, rodopia o pó fulgurante que levantaram no seu caminho as carroças siderais dos grandes mitos.
O primeiro beijo é um roubo.
À tardinha, passa em voo rápido uma pomba que leva a chave para fechar o dia.
A estrela cadente é uma malha que cai na meia da noite.
Os génios são aqueles que dizem muito antes o que se dirá muito depois.
Escrever é deixarem-nos rir e chorar sozinhos.
O escritor vê as palavras na folha em branco.
Um escritor chega à velhice quando suspeita que o artigo que está a escrever já tinha sido escrito por ele no passado.
O livro é um pássaro com mais de cem asas para voar.
O livro é o salva-vidas da solidão.
O soneto é o colete de veludo da poesia.
Nostalgia: nevralgia das recordações.
A conversação é a chama azul do álcool humano.
Há casais que dormem de costas para não roubarem um ao outro os sonhos ideais.
Para evitar o aborrecimento, o melhor é aborrecermo-nos freneticamente.
Nos foles que unem os vagões dos comboios, ouve-se o tango da viagem.
O cérebro é um pacote de ideias enrugadas que levamos na cabeça.
O elevador bate a todas as portas por que passa, mas só uma lhe dá troco.
Há suspiros que ligam a vida à morte.
As andorinhas põem aspas no céu.
A cada tiro recua o canhão como se se assustasse com o que acaba de fazer.
Dicionário quer dizer milionário em palavras.
O grilo mede as pulsações da noite.
Um relógio que atrasa, é um relógio poupador.
O cérebro é um pacote de ideias enrugadas que trazemos na cabeça.
O espirro é uma interjeição do silêncio.
A estrela pisca porque está com sono.
Quando a mulher pede salada de frutas para dois, está a aperfeiçoar o pecado original.
O problema do desejo é que volta sem avisar.
Não há nada mais comovente do que o riso de uma mulher que chorou muito.
O beijo é um parêntesis sem nada dentro.
Quando os trapezistas se agarram pelas mãos no ar, dão um aperto de mão de verdadeiros náufragos, verdadeira saudação de cortesia sobre os abismos.
Trovão: queda de um baú pelas escadas do céu.
As nuvens são o teste de Rorschach de Deus.
De noite, o girassol muda o nome para giralua.
Os parafusos são pregos penteados com risco ao meio.
O cometa é uma estrela cujo carrapito se desfez.
O que mais incomoda as estátuas de mármore é terem sempre os pés frios.
A mulher limpa com um pequeno lenço as grandes dores e os grandes catarros.
O mundo é o berlinde de Deus.
Os pés são raízes cortadas a cada passo.
Os braços são asas demasiado cansadas para voar.
O Coliseu em ruínas é como uma taça partida do pequeno-almoço dos séculos.
O arco-íris é a bandelete que a Natureza põe depois de ter lavado a cabeça.
Os pinguins são crianças que fugiram da mesa com o babete posto.
Os gatos bebem o leite da lua nos pratos das telhas.
Os pássaros que saltam no passeio parecem jogar à malha.
A girafa é o periscópio que permite ver os horizontes do deserto.


Ana Maria e António

de Mazaru Emoto, As aventuras da água no planeta Terra



Rodrigo
de António Gedeão, Lição sobre a Água

Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.
É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.
Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.

Paula

de Francisco Rodrigues Lobo, Fermoso Tejo Meu Quão Diferente
Fermoso Tejo meu, quão diferente
Te vejo e vi, me vês agora e viste:
Turvo te vejo a ti, tu a mim triste,
Claro te vi eu já, tu a mim contente.

A ti foi-te trocando a grossa enchente
A quem teu largo campo não resiste;
A mim trocou-me a vista em que consiste
O meu viver contente ou descontente!

Já que somos no mal participantes,
Sejamo-lo no bem. Oh, quem me dera
Que fôramos em tudo semelhantes!

Mas lá virá a fresca Primavera:
Tu tornarás a ser quem eras dantes,
Eu não sei se serei quem dantes era.



Xana F.

de Linda de Suza, Chuva, Chuvinha


Rosa
de Mazaru Emoto, A mensagem da água


Helena P.

de Fernando Pessoa, A chuva desce a ladeira

Água da chuva desce a ladeira.
É uma água ansiosa.
Faz lagos e rios pequenos, e cheira
A terra a ditosa.
Há muitos que contam a dor e o pranto
De o amor os não qu'rer...
Mas eu, que também não os tenho, o que canto
É outra coisa qualquer.




Cristina
de João Pedro Mésseder e Francisco Duarte Mangas, Breviário da Água


e como não podia deixar de ser...


medronho



próxima sessão - 19 julho 2011

e o tema é:





fará uma leitura alternativa

2011.07.05 - 9 semanas e 1/2

Introdução

A voz e a sedução

Ulisses e as sereias

Pedro Almodôvar

Exercício




Do outro lado do telefone

Como é ler quando o público não nos vê? Foram unânimes, todos! É muito mais fácil! Não há exposição! (não?... será mesmo?)










Paulo M.
Apresentação do filme: aqui o texto e trailers



















Xana J.
um excerto do livro "9 semanas e meia" de Elizabeth McNeill















Mariana, Ana Rita e Cecília
adaptação de "9 semanas e meia" a partir do livro de Elizabeth McNeill

“Nove semanas e meia” (o guião)

Personagens:
Mariana – Narrador e realizador
Cecília – Elizabeth
Ana Rita – John

Adereços:
Cecília - vestido e uma taça de frutos.
AR - boina/ chapéu masculino, cabelo apanhado, blazer masculino e uma faca.
Mariana - placa da acção.

Apresentação:
A Mariana está de pé, a Ana Rita e a Cecília sentam-se a estudar os textos.
A Mariana dá inicio ao seu texto introdutório. Assim que ela termina, afasta-se e pega na placa (ficando de lado). AR + Cecília vão para o meio do palco. Olham para a Mariana, cada uma com o texto numa mão e o seu objecto na outra.

Mariana (vira-se para o casal) – Vamos lá toca a despachar-nos para ensaiar a cena; olhem! Aproximem-se e façam de conta que estão no sofá; (olha para a AR) tens que encostar-lhe a faca na garganta. AR obedece.

Mariana – John é um enigmático corretor da Bolsa e Elizabeth é uma bonita assistente de uma galeria de arte no Soho. Um dia, encontram-se numa mercearia chinesa em Manhattan e trocam olhares. Desde logo se verifica uma atracção irresistível entre eles, estabelecendo-se uma relação, nada convencional, durante nove semanas e meia. Ele, bastante inventivo, quer proporcionar-lhe um tórrido conjunto de experiências eróticas, mas faz questão de deter o controlo. Ela, por seu turno, submete-se aos seus caprichos e deixa-se enredar numa teia lasciva de submissão.

(AR) – Não te rias. Pode atravessar-te… Afastei a ponta da navalha no último instante, no último instante, percebes?

(Cecília) – Nunca na minha vida conheci um homem que conte piores piadas que tu.

(AR) – Não tentes excitar-me com histórias acerca dos teus antigos amantes. É de muito mau gosto. Isso é de ordinárias.

Mariana (entra com a placa e irritada) – Corta! O que é que vocês estão a fazer? Isto é um filme erótico com paixão e intensidade, não é nenhum filme do Manoel de Oliveira. (Agarra na placa) – Acção!

(AR) – Não tentes excitar-me com histórias acerca dos teus antigos amantes. É de muito mau gosto. Isso é de ordinárias.

(Cecília) – Eu sou assim, mostro finalmente a minha verdadeira natureza.

(AR) – Finalmente, a tua verdadeira natureza. Que insuportável arrogância! Como se eu não soubesse desde que te pus os olhos em cima.

(Cecília) –Ah sim? Então é assim?

(AR) – Na próxima semana vais assaltar alguém, o mais fácil é fazê-lo num elevador, podes vestir o teu fato de Barba Azul, não me digas nada antes de o fazer. E agora sai de cima de mim, porque já tenho as pernas dormentes para três dias.

Mariana (agarra na placa) – Corta!

FIM

Ana F. [leitura alternativa] e Ana V.

Semana 1 - Natália Correia in "O Vinho e a Lira"

A Arte de Ser Amada
Eu sou líquida mas recolhida
no íntimo estanho de uma jarra
e em tua boca um clavicórdio
quer recordar-me que sou ária

aérea vária porém sentada
perfil que os flamingos voaram.
Pelos canteiros eu conto os gerânios
de uns tantos anos que nos separam.

Teu amor de planta submarina
procura um húmido lugar.
Sabiamente preencho a piscina
que te dê o hábito de afogar.

Do que não viste a minha idade
te inquieta como a ciência
do mundo ser muito velho
três vezes por mim rodeado
sem saber da tua existência.

Pensas-me a ilha e me sitias
de violinos por todos os lados
e em tua pele o que eu respiro
é um ar de frutos sossegados.


Semana 2 - Pablo Neruda in "Cem poemas de amor..."

Eu Simplesmente Amo-te

Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se.

Semana 3 - João Ubaldo Ribeiro in "A casa dos budas ditosos"

Norma Lúcia botava Selma num quarto desocupado e sem mobília daquele casarão enorme da chácara, trancava a porta, acendia uns incensos fedidos que ela comprava nas Sete Portas, se acocorava num canto e soltava o rato para Selma comer. Despejava o rato, quero dizer, porque ele não saía da gaiola, gelava assim que via a cobra.
Ela entrava em êxtase só de ver o rato paralisado de terror, e Selma fixava aquele olhar malevolente de cobra nele, com a língua tenteando o ar, para depois, com uma classe sinuosa que só cobra tem, enroscar-se nele, esmagá-lo, e engoli-lo sem pressa.


Semana 4 - Eugénio de Andrade in "Obscuro domínio"

Retrato Ardente
(…)
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.


Semana 5 - Herberto Helder in "O Amor em Visita"

(…)
Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua noite e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo.
(…)


Semana 6 - João Manuel Ribeiro in "Amo-te/Poemas para gritar ao coração"

Sismo

Amo-te intempestivamente
Como se guardasse um vendaval nas meninas dos olhos
Ou um punhal desmanchando-me a carne:
És um extenso sismo (levedando-me)

Semana 7 - Pedro Homem de Mello in "Miserere"

Era a mulher — a mulher nua e bela,
Sem a impostura inútil do vestido
Era a mulher, cantando ao meu ouvido,
Como se a luz se resumisse nela...
(…)


Semana 8 - O Maltês

Abriu as asas ao vento
desnudou o silêncio
dos corpos enlaçados
amados
na alquimia da luz
com que se enxugam as lágrimas
e se colhem sorrisos
das Luas vindouras

Semana 9 - Rosa Lobato Faria

Primeiro a tua mão sobre o meu seio.
Depois o pé – o meu – sobre o teu pé.
Logo o roçar ardente do joelho
E o ventre mais à frente na maré.

É a onda do ombro que se instala.
É a linha do dorso que se inscreve.
A mão agora impõe, já não embala
Mas o beijo é carícia, de tão leve.

O corpo roda: quer mais pele, mais quente.
A boca exige: quer mais sal, mais morno.
Já não há gesto que se não invente
Ímpeto que não ache um abandono.

Então já a maré subiu de vez.
É todo o mar que inunda a nossa cama.
Afogados de amor e de nudez
Somos a maré alta de quem ama.

Por fim o sono calmo, que não é
Senão ternura, intimidade, enleio:
O meu pé descansando no teu pé,
A tua mão dormindo no meu seio.


Virgínia
de Herberto Helder, in "A faca não corta o fogo"
Paixão Grega
Li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas :
tinha paixão?
quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
e então indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?
os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
na política,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos dedos para tantos
objectos do mundo
e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,
pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse : tinha paixão?
afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,
ponham muito alto a música e que eu dance,
fluido, infindável,
apanhado por toda a luz antiga e moderna,
os cegos, os temperados, que não, que ao menos me encontrasse a paixão
e eu me perdesse nela
a paixão grega


João
de Alessandro Baricco um excerto de "Esta História"
A história de Último, nascido no princípio do século passado e que tem o sonho de construir um circuito...
















Helena P.
de Gonçalo M. Tavares um excerto de "Viagem à Índia"


do Canto IX as estrofes 70, 71 e 72
70
Não há ócios imorais, diga-se. É certo que fora do
trabalho os homens descarregam para o solo a educação (como um peso) e mais leves ficam então preparados
para a maldade ou para a diversão
[...]










Mila
de António Bôto, Tu Mandaste-me Dizer


Tu Mandaste-me Dizer
Que tornavas novamente
Quando viesse a tardinha;

E eu, para mais te prender,
- N'esse dia...
Pintei de negro os meus olhos
E de rôxo a minha boca.
As rosas eram aos mólhos
Para a noite rubra e louca!

Entornei sobre o meu corpo,
- Que fôra delgado e bello!
O perfume mais extranho e mais subtil;
E um brocado rôxo e verde
Envolveu a minha carne
Macerada e varonil.

Os meus hombros florentinos,
Cobértos de pedraria,
Eram chagas luminosas
Alumiando o meu corpo
Todo em fébre e nostalgia.

Nas minhas mãos de cambraia,
As esmeraldas scintillavam;
E as pérolas nos meus braços,
Murmuravam...

Desmanchado, o meu cabello,
Em ondas largas, cahia,
Na minha fronte
Ligeiramente sombría.

Estava pallido e dir-se-hia
Que a pallidez aumentava
A minha grande belleza!

Na minha boca ondulava
Um sorriso de tristeza.
A noite vinha tombando.

E, como tardasses,
Fiquei-me, sentádo, olhando
O meu vulto reflectido
No espelho de crystal;
E afinal,
Nem frescura, nem belleza,
No meu rôsto descobri!

- Ó morte, não me procures!
E tu, meu amôr, não venhas!...
- Eu já morri. 
[e a morte, pode ser sedutora? a Mila sugeriu a leitura das Intermitências da Morte, de Saramago]

Teresa
de Luisa Ducla Soares, in "A Gata Tareca e outros poemas levados da breca"

Os números do menino mau
[nove quadras... e meia]

Tenho uma pombinha
E você tem duas.
Não coma, menino,
Mais batatas cruas.

Tenho uma pombinha
E você tem três.
Não salte os degraus
todos de uma vez.

Tenho uma pombinha
E você tem quatro.
Não vista o meu fato
Para fazer teatro.

Tenho uma pombinha
E você tem cinco.
Com meninos maus
Não pense que eu brinco.

Tenho uma pombinha
E você tem seis.
Não queime o dinheiro
Com os outros papéis.

Tenho uma pombinha
E você tem sete.
Não esconda as bonecas
Dentro da retrete.

Tenho uma pombinha
E você tem oito.
Não ponha pimenta
cá no meu biscoito.

Tenho uma pombinha
E você tem nove.
Não me regue a sala
A fingir que chove.

Tenho uma pombinha
E você tem dez.
Não se abre a porta
dando pontapés.

[Tenho uma pombinha
E você tem onze.]


António S.
de David Mourão Ferreira, um excerto de "Os Amantes"















Helena R.
de Alberto Pimenta, Refrigério

um homem e uma mulher
aproximam-se de uma porta
com uma chave na mão.
avançam
como se não respirassem.
um deles
mete a chave na fechadura
e entram.
assim que fecham a porta
atrás de si,
olham-se um instante e
lançam-se um ao outro,
prendendo-se com as mãos e
abrindo caminho com a cara,
com a boca.
passado pouco tempo
arrastam-se no chão
procurando cada lugar do corpo
com cada lugar do corpo,
arqueando-se
ou amoldando-se e
vorazmente passando de uma
para outra entrada.
ambos têm a boca molhada
quando se levantam,
passada uma hora,
arfando enlaçados,
mas
devora-os ainda
uma sede quase infinita
e impossível de satisfazer.

Fernando
de Marguerite Duras, um excerto de "O Amante"













Ana Paula
de Ary dos Santos
Retrato de Natália

Hierática  cromática  socrática
passas branca de neve pela sala
nebulosa da pele  via láctea
do único percurso que nos falta.

No teu andar há ventres há tecidos
de leve lá circuitos do brocado
duma seda tecida na manhã
dos raios dos teus olhos deslumbrados.

Nos teus quadris há cisnes há pescoços
de virgens degoladas  há indícios
do alabastro quente dos teus ossos
iluminando claros precipícios.

É isso. Uma vestal iluminada
uma deusa rangendo uma secreta
porta barroca aberta para o nada
que é o docel da cama do poeta

Ali deitas crianças  animais

gemidos e maçãs  vagidos e atletas
pois que amas as coisas naturais
com a tua carne impúbere e erecta.

Porém tu acalentas  tu alentas
nossa senhora lenta  mãe do escândalo
ave de carne  lírio de placenta
com aroma de nardos e de sândalo.

Desinfectante e amante eis que transformas
em teus olhos de cânfora as orgias
e o teu corpo ânfora é a forma
em que a lira da noite vaza o dia.

Helena Pinto
de Urbano Tavares Rodrigues, excerto do cap. XI de "Eterno Efémero"



















este livro tem história, e vem do "Clube de Leitores Rodinhas a Ler" (também aqui)



e a Carmen
que não pode estar presente, deixou-nos este texto da sua autoria
 .......

E a relembrar uma outra sessão... voltou a haver fondue de chocolate!